O GAFI destaca os riscos das Stablecoins e das carteiras não hospedadas

O Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI) publicou um novo relatório específico (março de 2026) que examina os riscos crescentes associados às moedas estáveis e às carteiras não hospedadas, em especial no contexto do financiamento ilícito.

Principais conclusões

O relatório destaca a rápida expansão das stablecoins, com mais de 250 em circulação e uma capitalização de mercado superior a 300 mil milhões de dólares.

Nomeadamente, as stablecoins representaram aproximadamente 84% do volume de transacções de activos virtuais ilícitos em 2025, reflectindo a sua utilização crescente no crime financeiro.

As suas principais caraterísticas –estabilidadede preços, liquidez e acessibilidade global – tornam-nasatractivas não só para transacções legítimas, mas também para o branqueamento de capitais, o financiamento do terrorismo e o financiamento da proliferação.

Principal área de risco: Carteiras não hospedadas

Uma das principais vulnerabilidades identificadas no relatório é a utilização de carteiras não alojadas (carteiras com custódia própria), que permitem transacções peer-to-peer (P2P) sem intermediários regulamentados, como instituições financeiras ou fornecedores de serviços de activos virtuais (VASPs).

Esta situação cria “lacunas de visibilidade” para os reguladores e profissionais de conformidade, tornando mais difícil a deteção de transacções suspeitas e o rastreio de fundos ilícitos.

Ameaças emergentes

O relatório do GAFI refere que as moedas estáveis são cada vez mais utilizadas por:

  • Grupos de cibercriminosos (incluindo actores de ransomware)
  • Financiadores do terrorismo
  • Redes de evasão de sanções
  • Actores ligados ao Estado

Estes actores exploram:

  • Transferências transfronteiriças
  • Transacções entre cadeias
  • Falta de supervisão regulamentar em ambientes P2P

Recomendações do GAFI

O GAFI apela aos países e ao sector privado para que

  • Aplicar integralmente a Recomendação 15 sobre activos virtuais
  • Aplicar as obrigações AML/CFT/CPF a todos os participantes nos ecossistemas de moedas estáveis
  • Reforçar os quadros regulamentares e a supervisão
  • Monitorizar e mitigar os riscos das carteiras não alojadas
  • Tirar partido da análise de cadeias de blocos e de ferramentas tecnológicas avançadas
  • Introduzir controlos técnicos (por exemplo, congelamento ou bloqueio de transacções suspeitas)

Implicações para os profissionais de conformidadeEste relatório reforça a necessidade de:

  • Quadros de avaliação de risco reforçados para activos virtuais
  • Sistemas mais fortes de controlo das transacções
  • Aumento da utilização de ferramentas de inteligência de cadeias de blocos
  • Cooperação regulamentar transfronteiriça

Conclusão

O último relatório do GAFI sublinha uma mudança crítica no panorama do AML:
à medida que os activos digitais evoluem, também os quadros de conformidade, a supervisão e a cooperação internacional devem evoluir para fazer face aos riscos emergentes.

Fonte: Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI), Targeted Update on Stablecoins and Unhosted Wallets, março de 2026.

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